adolescente conversando com psicólogo em sessão de terapia
Fatores Psicossociais

Suicídio: vamos falar sobre este assunto?

Tempo de leitura: 7 min

O suicídio é um tema complexo, que envolve múltiplos fatores e é cercado de muitos tabus. É importante falar sobre esta problemática, pois somente desta forma poderemos nos ajudar e ajudar as outras pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nos últimos 45 anos, houve um aumento de 60% no número de suicídios em todo o mundo, ficando entre as três maiores causas de morte na faixa etária entre 15 e 35 anos. O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios.

Este é um problema de todos, pois afeta, além das vítimas, seus parentes e amigos. Neste conteúdo, separamos formas de identificar sinais de risco de suicídio, mitos e verdades sobre o tema e ações para apoiar aqueles que precisam de ajuda. Confira!

Tristeza e depressão: qual é sua relação com o suicídio?

A tristeza é um sentimento assim como a raiva ou a alegria, enquanto a depressão é uma doença que deve ser tratada. Porém, quando a tristeza “não passa”, devemos buscar ajuda médica, pois é possível que seja depressão. Além disso, a tristeza sempre terá um motivo, e a pessoa passará grande parte do tempo pensando repetidamente nele. A pessoa triste pode ter sintomas físicos, como aperto no peito, coração acelerado e choro, mas se algum evento positivo acontecer em sua vida, ela conseguirá esquecer por alguns momentos a tristeza e vivenciar a alegria.

Por outro lado, na depressão, nem os eventos positivos são motivo de alegria. Segundo dados da OMS (2000), ela afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo todo. Os quadros depressivos com prejuízo importante para a vida pessoal e social dos indivíduos têm como elemento central o humor triste, que perdura por vários dias ou até meses. Conheça alguns sintomas:

  • Tristeza, apatia, desesperança, choro fácil;
  • Fadiga, cansaço, desânimo, perda ou aumento de apetite;
  • Diminuição da atenção e memória, dificuldade de tomar decisões;
  • Sentimento de baixa autoestima, incapacidade e autodepreciação;
  • Pessimismo em relação a tudo;
  • Sentimento de culpa ou inutilidade;
  • Negativismo;
  • Pensamentos de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida (com ou sem um plano específico), ato suicida.

 

Se você observar um comportamento semelhante, converse com a pessoa e oriente que ela procure algum serviço de ajuda. De acordo com a OMS, de cada 100 pessoas com depressão, 15 decidem colocar fim à própria vida. Nestes casos mais extremos, a pessoa diagnosticada não necessariamente deseja pôr fim a própria vida, mas pedir desesperadamente por socorro. Uma pessoa que tem depressão certamente está mais vulnerável e propensa a ter ideações suicidas.

Por isso, assistência é um importante fator de proteção! Os serviços de assistência psicossocial têm papel fundamental na prevenção do suicídio. Estudos do Ministério da Saúde apontam que, nos locais onde existem Centros de Apoio Psicossocial (CAPS), o risco de suicídio reduz em até 14%. Por este motivo é importante a participação da comunidade na identificação das situações de risco de suicídio – hoje, uma importante estratégia de prevenção.

Fatores de risco e de proteção ao suicídio

Os comportamentos suicidas são mais comuns em alguns grupos de pessoas e dizem respeito aos fatores culturais, genéticos, psicossociais e ambientais. Os fatores de risco gerais incluem:

  • Transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas;
  • Transtornos de personalidade;
  • Transtornos de humor;
  • Estratos econômicos extremos;
  • Desempregados, aposentados, isolamento social;
  • Perdas recentes;
  • Dinâmica familiar conturbada;
  • Doenças orgânicas incapacitantes;
  • Neoplasias malignas;
  • Dor crônica.

 

Já os fatores de proteção gerais incluem:

  • Apoio da família, de amigos e de outros relacionamentos significativos;
  • Crenças religiosas, culturais e étnicas;
  • Envolvimento na comunidade;
  • Uma vida social satisfatória, com atividades de lazer, trabalho voluntário e envolvimento social;
  • Acesso a serviços e cuidados de saúde mental.

Mitos e verdades sobre o assunto

Como falamos, há muitos tabus em torno do suicídio. No entanto, é fundamental desmistificar este assunto tão complexo e promover o conhecimento correto sobre ele. A seguir, apresentamos alguns mitos e verdades indicados pela OMS:

Quem vive ameaçando se matar nunca o faz

Esse é um dos principais mitos sobre o suicídio. O comportamento suicida é uma ação extrema de uma pessoa em grande sofrimento que não vê outra saída a não ser a morte.

A tentativa de suicídio é uma forma de chamar a atenção

A tentativa de suicídio deve sempre ser levada a sério! A verbalização desse pensamento de morte é um importante sinal de alerta de que a pessoa está em grande sofrimento e que precisa de ajuda.

Quem quer se matar normalmente não fala sobre o assunto, simplesmente se mata

A maior parte das pessoas que se suicida dá sinais importantes, às vezes inconscientes, de que não estão bem e de que precisam de ajuda.

Quem comete suicídio é louco

Independentemente do estado mental da pessoa que fala em se matar, este é um importante sinal de alerta que deve ser entendido como um pedido de ajuda. Nunca menospreze a importância da verbalização de que a pessoa “quer se matar”.

Não se deve perguntar se a pessoa está pensando em se matar porque isso pode induzi-la ao suicídio

Pelo contrário! Ao perceber sinais de que a pessoa está pensando em suicídio, o tema deve ser abordado abertamente, porém com cautela, com uma atitude de acolhimento, empatia, respeito e compreensão, favorecendo o vínculo e mostrando que nos importamos com ela e que outras saídas são possíveis.

Se alguém quiser se suicidar, nada vai impedi-lo

Podemos impedir, sim! Com uma escuta empática e acolhedora, podemos encaminhar a pessoa para centros de tratamento, evitando desta forma que a pessoa consume o ato. As tentativas de suicídio são pedidos de ajuda que devem ser entendidos como tais.

Quando uma pessoa tenta suicidar-se, tentará novamente pelo resto da vida

Não. A pessoa que quer se suicidar se sente assim por um determinado tempo, até poder enxergar outras saídas para o sofrimento que está sentindo. Por isso é importante escutar, acolher e encaminhar.

Uma pessoa que tenta se matar uma vez, dificilmente tentará novamente

A tentativa de suicídio é o fator de risco mais importante a ser considerado na prevenção do suicídio. As estatísticas mostram que, para cada suicídio consumado, ocorreram 10 tentativas, e que a pessoa pode tentar mais de uma vez.

Após uma tentativa de suicídio, uma melhora rápida significa que o perigo já passou

Quando a pessoa se mostra mais calma, não significa necessariamente que o problema se resolveu. Ela pode estar mais calma justamente por já ter se decidido pelo suicídio como forma de terminar com seu sofrimento, aguardando apenas uma oportunidade.

Quem planeja o suicídio quer morrer

A pessoa muitas vezes não deseja a morte. Diversos estudos mostram que o suicida deseja livrar-se de um sofrimento para o qual não está encontrando saída.

Quem se mata é fraco

O que leva ao suicídio é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou de coragem. Em lugar de julgamento, o que se deve oferecer são compreensão e acolhimento, tanto para a pessoa como para seus familiares.

Suicídio é coisa de rico

O suicídio atinge todas as camadas sociais, independente de sexo, raça ou crença.

Como ajudar uma pessoa sob risco de suicídio?

Se você identifica tendências suicidas em alguma pessoa, não deixe de intervir. Separamos algumas ações que você pode adotar para ajudar alguém em situação de risco:

Converse

Procure um ambiente calmo para conversar e escute de forma aberta e sem julgamentos.

Acompanhe

Fique em contato com a pessoa para acompanhar como ela está se sentindo.

Busque ajuda

Incentive a pessoa a buscar ajuda profissional e, se possível, acompanhe-a na consulta. Existem redes de apoio como o CAPS, UBS, UPA 24 horas, SAMU 192 e hospitais.

Proteja

Não deixe a pessoa sozinha e certifique-se de que não há objetos que ofereçam risco, como facas, armas e medicamentos.

E lembre-se: Esteja sempre disponível para conversar, ajude e saiba pedir ajuda. Falar é sempre a melhor solução! Não negligencie um pedido de ajuda, você pode salvar uma vida.

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