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SST e inovação tecnológica: o que você precisa saber sobre Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria 4.0

Tempo de leitura: 9 min
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por Antonino Germano, Médico do Trabalho e Gerente de SST do SESI-RS

Em um mundo de complexas transformações, um dos maiores desafios no campo da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) é examinar e entender os novos riscos presentes nos ambientes laborais, resultantes da inovação tecnológica.
Engana-se quem pensa que o papel do ser humano na atividade industrial e, por consequência, os cuidados com SST, serão reduzidos. Pelo contrário: é necessário desenvolver novas habilidades e formas de prevenção. Teremos um novo cenário, em que as principais causas de afastamento que conhecemos hoje diminuirão sensivelmente.
Mais do que nunca, é preciso que as empresas estejam preparadas para a gestão adequada de SST. Neste post, falaremos sobre como as novas tecnologias impactam a Segurança e Saúde no Trabalho. Acompanhe!

A inovação tecnológica é uma ameaça para o trabalho humano?

Novas tecnologias, como a robótica, a inteligência artificial, a realidade aumentada, os drones, entre outras, provocam sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo que incitam expectativa e entusiasmo, provocam receios relacionados ao impacto que terão na vida das pessoas. Na esfera profissional, por exemplo, há preocupação com a possibilidade de que os seres humanos sejam substituídos por máquinas.
No entanto, uma coisa é certa: as empresas sempre precisarão de pessoas, independentemente do avanço tecnológico. Não existirá indústria sem o trabalho humano. A mudança está nas habilidades necessárias para trabalhar nesse novo cenário, que serão diferentes das que utilizamos atualmente. Por isso, os debates sobre o tema e as pesquisas deverão focar na interação entre pessoas e tecnologias. Os trabalhadores devem ter as habilidades profissionais necessárias para operarem e interagirem no novo contexto, baseadas no desenvolvimento e conhecimento de várias tecnologias e disciplinas: técnicas, digitais e mais “soft”, como comunicação, colaboração e solução de problemas complexos.

Como manter a equipe de SST qualificada para lidar com as novas necessidades de prevenção?

Geralmente, os obstáculos para qualificar equipes de SST estão relacionados à percepção, por parte das empresas, de que se trata de um custo e não de um investimento. Além disso, é comum haver falta de treinamento constante e de motivação para mudanças de hábitos.
No entanto, sabemos que não há como separar o conceito de produtividade e de competitividade ao de segurança dos ambientes de trabalho. Com a ascensão das novas tecnologias, as equipes de SST devem, desde já, se preparar em melhorar não somente a situação atual, mas acolher a inovação. Torna-se necessário, portanto, preencher a lacuna entre as habilidades e competências já presentes no mercado de trabalho e as que futuramente serão necessárias e também maiores do que as atuais.
Portanto, é preciso capacitar e treinar trabalhadores antigos e futuros para permitir uma colaboração mais tranquila e eficaz na combinação “homem-máquina”. É mais do que necessário (ou seja, se torna estratégico) que os profissionais de SST participem da redefinição e melhoria dos processos produtivos. Mas isso deve ser feito na ótica da multiplicidade de habilidades, via cooperação interdisciplinar entre funcionários e lideranças em todos os níveis.

Quais são os principais riscos aos quais esses novos profissionais estarão expostos?

A partir de Sistemas Cyber-Físicos, Internet das Coisas (IoT) e Internet dos Serviços (IoS), os processos de produção tendem a se tornar cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis. A Indústria 4.0 representa um novo período no contexto das grandes revoluções industriais. Com as fábricas inteligentes, diversas mudanças ocorrerão na forma como os produtos são manufaturados, causando impactos em diversos setores produtivos, bem como na organização do processo de trabalho e seus conteúdos.
Portanto, em uma realidade de produção, em que a adoção das novas tecnologias será sinônimo de interconexão completa entre pessoas, máquinas e plantas, para proteger os trabalhadores não é suficiente levar em conta somente a segurança funcional. Será necessário, cada vez mais, fazer o gerenciamento integrado de riscos no ambiente de trabalho, utilizando tecnologias que tornem os ambientes inteligentes graças à capacidade de registrar as atividades das pessoas dentro deles e responder adequadamente.
A tecnologia deverá oferecer maior adaptabilidade, eficiência de recursos e ergonomia, bem como melhorar a troca de informações. Para citar alguns exemplos, a tecnologia baseada em sensores pode ajudar na prevenção automática de acidentes ou de problemas de saúde dos trabalhadores em tempo real; dispositivos conectados à Internet das Coisas tornam possível monitorar e enviar informações de segurança que incluam a biometria de um funcionário. Isso ajudará as empresas a reduzirem a exposição aos riscos, melhorando a segurança do local de trabalho de forma mais eficaz.
Por outro lado, quando pensarmos em um ambiente com alto grau de automação, existe um aspecto crítico ligado a fatores de natureza psicossocial, os quais podem ter importantes repercussões no bem-estar do trabalhador: é o tema do estresse ligado à condição específica do isolamento. Neste caso, poderemos ter reflexos que causam sofrimento tanto no plano pessoal como no profissional, com impacto na performance, prejudicando a produtividade, sufocando a criatividade e dificultando a tomada de decisões. Isso afeta diretamente o desempenho de uma empresa. Os efeitos mentais e físicos do isolamento elevam os custos com licenças por doença e seguro de saúde. Uma organização voltada para resultados não poderá ignorar este fatores.

Quais são as patologias mais comuns entre quem trabalha em novas funções?

Se pensarmos nos acidentes de trabalho típicos e nas doenças profissionais conhecidas atualmente, as novas tecnologias, se bem aplicadas, podem tornar o trabalho mais ágil, melhorar a saúde e a produtividade dos trabalhadores. Hoje, as duas primeiras causas de afastamento do trabalho na indústria são as causas externas (traumas) e as doenças osteomusculares (como as tendinites por esforço repetitivo). Isso também é reflexo de uma realidade de mercado cada vez mais dinâmica e competitiva, em que as empresas, especialmente as grandes, ainda são caracterizadas por processos manuais repetitivos.
Neste cenário, portanto, se torna importante abordar a questão do controle preventivo da carga biomecânica pela própria necessidade de ser competitivo no mercado global. Por isso, como já comentado, não há mais como separar a produtividade sustentável e a segurança do trabalho. A fase de design assume um papel fundamental na definição e implementação de um processo de produção seguro e competitivo. Um exemplo disso seria a adoção de exoesqueletos, que nos próximos anos vão se misturar com Big Data e Inteligência Artificial, e que tornarão o trabalho mais seguro e saudável. A consequência imediata será a redução dos afastamentos por problemas osteomusculares.
Em contrapartida, aqueles que hoje são a terceira causa de afastamentos tendem a crescer no novo cenário: os fatores psicossociais. Há que se pensar nos fatores psicossociais para além da relação homem-máquina. O Centro de Inovação SESI em Fatores Psicossociais , com sede no RS, por meio de pesquisa aplicada à realidade industrial, tem apontado para uma série de questões importantes como ponto de partida para reflexão: como se dará a transformação do conhecimento por parte dos trabalhadores que já estão no mercado de trabalho há algum tempo? Que implicações tem a entrada de uma nova maneira de o trabalhador se reportar à produção, na velocidade que a inteligência da informação demanda? O que será exigido das lideranças na condução de equipes de trabalho neste novo contexto? Neste sentido, o Centro de Inovação SESI em Fatores Psicossociais vem se dedicando a desenvolver novas ferramentas na gestão destes fatores, assim como outras soluções para apoiar a indústria no seu reconhecimento e na sua gestão.
Mesmo neste cenário, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), ou seja, aquelas relacionadas ao estilo de vida do indivíduo, continuarão entre as principais causas geradoras de custos por problemas de saúde para as empresas. Hoje, as duas primeiras causas de mortalidade geral no Brasil são as doenças cardiovasculares e as neoplasias (quase 50% de todas as mortes). As doenças cardiovasculares podem ser prevenidas em 80% dos casos com a adoção de um estilo de vida saudável. E, se consideramos que a maior parte de nossa jornada se passa no trabalho e que muitos dos acometimentos à saúde não derivam necessariamente do exercício relacionado ao trabalho, fica evidente que as DCNTs trarão, como consequência, afastamentos, gerando custos e perda de competividade das empresas.

Quais são os cuidados que os trabalhadores devem tomar em sua jornada de trabalho?

Se o trabalho mudará, os trabalhadores também mudarão. A Indústria 4.0 testemunhará uma revolução cultural dentro das empresas. Mais habilidades, mais participação e mais bem-estar serão os direcionadores desta transformação. Nesse sentido, a dimensão manual se cruzará com a dimensão intelectual, e os trabalhadores serão levados a tomar decisões independentes e a intervir na solução de problemas. A evolução dos processos de produção e as novas formas de organização do trabalho criam a necessidade de os trabalhadores se envolverem no processo produtivo e terem maior participação na vida da empresa, o que será indispensável para uma maior competitividade.
O maior cuidado, nestes casos, é o aumento do nível de consciência e responsabilidade que os indivíduos deverão exercitar no contexto em que estarão inseridos. Deverá existir uma preocupação em adquirir um alto nível de habilidades e capacidades, em que o componente intelectual torna-se central, pois o trabalho manual será cada vez menos representativo.

O que é importante em uma campanha de prevenção?

É importante conhecer qual o objetivo e qual o público que se quer alcançar na campanha. A linguagem e a mensagem dependem do tema enfrentado e do segmento produtivo a que se destina. Em última análise, uma campanha de promoção da segurança tem que ter o objetivo não somente de reduzir as taxas de acidentes e proteger melhor os trabalhadores, mas também passar, para as empresas, a percepção de uma vantagem competitiva. Somente desta forma as chances de sucesso serão maiores.

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Para mais informações sobre saúde e segurança no trabalho, entre em contato com o SESI-RS através do telefone: 0800 518585 ou clique aqui.

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